A Vida Íntima dos Cafés

Em 1930, o jornalista Reinaldo Ferreira, que assinava as suas peças como «Repórter X», escreveu um artigo para a publicação «Ilustração Portugueza» sobre os cafés de Lisboa. Nele, manifestava fervorosamente o facto de Lisboa não ter cafés excêntricos, com duas ou três exceções, entre as quais, A Brasileira do Chiado, que reivindicava como «nossa», batendo no peito com orgulho. Referia-se à classe de jornalistas, literatos, pintores, escultores, músicos e intelectuais que apreciavam a arte e a leitura. Reinaldo Ferreira era um jornalista arrojado e audaz, de quem muitos diziam ter o dom da ubiquidade por conseguir estar no terreno sempre que podia transformar um acontecimento numa peça jornalística sensacionalista, e que fazia d’A Brasileira do Chiado um lugar de eleição.